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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Quem diria que um dia voltava a ver raquel.....

Num dos muitos tons de cinzento espremi uma expressão de surpresa desfeita. "Tu vais passar a tua vida com esta pessoa". Como quem aponta o óbvio erro entre números sequenciais, percebi pelo teu esgar na sua direcção, trovão que rebate na terra e treme a revolta electrizante nos poros da pele.
E que cara de lhe adivinhar os lábios e suar lágrimas no peito da sua morte...tantos capuletos e montéquios. Como o que eu senti em tempos. Essa cara que me pediste emprestada. Atravessaste a rua como se o que fomos se tornasse um "vai ficar para outro dia". E perdi tudo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

réve







Descansa em mim, já que calho embrulhado na tua voz e sou fácil de deitar fora.
Deixa-me as chaves e o comando, os miúdos não vão a lado nenhum.
Brota como um botão de cerejeira, explosão em câmera lenta, grávido de esperança.
Regressa ao teu lugar pálido com feridas de luta,
eles não fogem,
prometo,
eu guardo-os,
prometo,
prometo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Chop Suey

Vão longe, os dias em que tudo o que me dizias era dogma. E apenas podia esboçar um ar de fraca compreensão, genialidade arrepiante, sapatos grandes que nunca caberiam confortavelmente nos  meus pés. Em que sonhava poder vir a ser tu, sem defeitos e pleno de carisma, acabando sempre o que começava.
Os anos passaram, tudo é diferente. O mundo não é a preto e branco. Nada é ou não é. E sinto saudades de achar isso, de te ter como conforto e modelo, poder repetir as tuas frases a quem nascer de mim, pequeno sorriso nostálgico de ser parte de quem és.
Não me interpretes mal. Tenho orgulho. Muito.
Mas já não és a causa que defendo cegamente, nem imune a críticas choradas.
 
 

És humano. Bom, mas só humano.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Texto

Colecciono momentos e objectos como se me fossem indispensáveis para respirar. Sobretudo momentos. Guardo-os na cabeça, à espera que a vida mos coma. E quero-os assim, não registados, desarrumados, surpreendentes numa noite em que algo os despoleta. Um cérebro desarrumado sabe como dias a café. Sem comer de manhã, dedos ansiosos e ar cortante. É bom, é tudo para mim, essa ideia de que eles sempre voltam. E de que se podem confundir com sonhos, mentindo suavemente à realidade. E se não voltarem, também não sei que existem. Poupa-me um suspiro - talvez uma lágrima - sobre um papel amarrotado.
Recordo-me de um fragmento de imagem. Devia ter uns três anos, e olho para o meu pai, sentado à cabeceira da mesa, ar confiante, cotovelo equilibrado por razões de etiqueta. E um sorriso verdadeiro na cara. Rugas breves, de feitio. Esta figura surge repetitivamente na minha cabeça, como se a maldissesse ou quisesse guardá-la muito perto.
Não sei o que a provoca, sei que é de ferro. Cada vez que penso nela, a nostalgia invade, tecido macio. E provoca uma torrente de outros pedaços que me percorrem, até ao embrião. De pessoas que não vejo, situações caricatas, medo, vergonha, tudo, tudo passa. Ao ponto de não saber se me fez bem esta viagem. Se lembrar é melhor do que estar sempre aqui e agora, realidade gasta, mas palpável, inegável, existente.
Não sei. Mas não as quero perder.