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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

pierrot

Não consigo deixar de imaginar que estou outra vez naquele recanto de uma quinta, suores ansiosos repelem o brilho do sol e a doce brisa, no melhor dia de Agosto.
São códigos que não percebo, esses do toque amargo; não sei o que é deslizar os dedos para além da pureza incauta, não sei, peço desculpa, não quero saber. Não me obrigues. É Agosto, por favor não.
Amarra-me o peso do silêncio. Acabaste e puseste-me os dedos nos lábios. Olhaste-me do mais doce que os monstros conseguem. Doce possessivo. Vergonha nos dedos. Senti-os tremer.
Voltei a casa e tudo soava a asfalto na bicicleta. A ocasional borracha que se debate com o piso. Tempo de deixar estes minutos debaixo de um cobertor.
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domingo, 21 de dezembro de 2014

La Viguela

´
Aqui me pongo a cantar
Al compás de la viguela,
Que el hombre que lo desvela
Una pena estraordinaria
Como el ave solitaria
Con el cantar se consuela.




Se dos passos se sentem os deuses, estejam eles onde estiverem, e para todos o mundo for manso como como as riscas da calçada, o fundo do mar é apenas no fundo.
A cada um de nós é dada essa perene sensação de quem canta. Sobretudo a quem se traduz nos becos das suas cidades.
Noutro dia não vai haver esse musgo no chão, nem os sotaques da comunidade pelo ar. É sempre melhor pensar no anonimato como um pardal nos quiosques. É essa a história da vida de quem se dissolve. Não vejo o mal nisso, não vejo a pele irritada das lágrimas secas, nem o nariz vermelho ou as pressões sobre a têmpora.
Pensem nisso como um quadro branco com as texturas de uma frase que só se consegue ler com luz negra. É inevitável que quem o note se sinta particularmente sensível aos acasos da continuidade estelar que teima em oferecer-nos músicas em que já estávamos a pensar antes de, à primeira estação sintonizada, a ouvirmos ser reproduzida. Outro exemplo disso mesmo é a pessoa que ocupa os nossos pensamentos invadir a caixa de mensagens com o "bom dia" dos dias frios, mas bons.
Nesse sentido, uma passada calma e o olhar devem ser apreciados como se de desabrochares perfeitos se tratassem. Uma segunda vez isto não se passará e poderá depender do humor com que se acorda ou do primeiro inspirar da manhã. As sensações perenes que que falava são como vultos e têm pernas lestas, que muitas vezes desaguam em rios pesados de correntes independentes.
Prometo que me deixas hoje desfeito como num delta se virares à esquerda e evitares esta rua.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Silla

São histórias belas, no culto de um pacto sangrento, em que do fraquejar dos dedos se faz a morte floral, pétala a pétala, como a soltar o último grito da primavera. No romper de um abraço.
Ao dobrar a esquina, decoro-te a sombra permitida pelos candeeiros na noite. Nem o vinho, nem o pedaço de alma que te parti morrem hoje.
Mal vejo a hora que deixe outra silhueta ocupar aquele canto poeirento do meu armário. Numa lamela para análise, reparo os demónios no detalhe, sinto os perigos na amostra. Revelam-se inconsequentes.
Sei que vou morrer amarelo, sei disso. Ou a zelar por ti do outro lado da estrada.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Borboletas

Para ele, só existiam dois tipos de pessoas no mundo: os que tinham ouvido o “Samba pa Ti”, e os que não o tinham feito.

Ele admirava simples tons, pele aveludada, descia nos dedos do mundo para sacos secos de feijão. Perdia o fôlego com amores no olhar, pensava “à beleza da mulher”! Quando se enfrascava nos bares de Lisboa. Carregava o som da música ao vivo em si. Os poros antecipavam todas as sensações, beijos sonoros, carne trocada.

Era assim.
não tem de ser como se quer.
é só como se é...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Lírio, Canivete, Alma Para ir à Escola.

Consumimos frases de auto-ajuda como se o abjecto morasse nos nossos quartos.
Monstros no armário.
Amor debaixo da cama.
Amor simples, infante.
Amor como só se pode receber de si mesmo.
Frases de um teclado anónimo.
Alcunhas de merda, planos diferentes.
Misticismo no plural. Piadas sexuais que não chegam ao teu peito.
Misticismo no singular.
Morte nos dias leves.
Sorrisos no peso.
Todos somos facultativos.
Planos de merda.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

réve







Descansa em mim, já que calho embrulhado na tua voz e sou fácil de deitar fora.
Deixa-me as chaves e o comando, os miúdos não vão a lado nenhum.
Brota como um botão de cerejeira, explosão em câmera lenta, grávido de esperança.
Regressa ao teu lugar pálido com feridas de luta,
eles não fogem,
prometo,
eu guardo-os,
prometo,
prometo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Maria

Cedo marcou os pontos estelares e inventou bonitos quadros de desejo, raiva e mentira.Não imagino melhor.
Quase parado, absolveu-se e fez nascer um novo dia.
Cores vibrantes, mortas. Um quadro sobre o Paraíso. Mas não estava lá ele, não estava lá.
Estava apenas uma sombra escondida, de cadeira de rodas, a ver o nascer do sol. Já que ele não o merece, que vá para lá quem por ele sofreu.
Ele, que acolheu as suas esperanças e lugares-comuns, e os guardou entre a cabeça e o peito, por precaução.
Agora, alheada ao mundo, olha todos através de uma clarabóia, ou vê o mar, aos fins de semana. Sonha com cores conhecidas, familiares, espelhadas numa onda de proximidade.
Hoje, mais do que nunca, sinto falta de quem não recordo.
Mas o odor não desaparece.