Mostrar mensagens com a etiqueta uma hora de cada dia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta uma hora de cada dia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de fevereiro de 2015

count your coins and throw them over my shoulder

"não quero"
e dois comprimidos (que são vinte, mas shhh) deslizam
na garganta,
sabor a frutos exóticos e
a lar longe de lar: o mundo afogado,
confortos vazios.
Estou a 9 milimetros de mim, olho
de cima. Afago a minha cara:
"mereces."
De repente, pânico.
O horror, o meu pai espojado
sobre o mogno frio
da minha caixa num lugar
sem cor,
o meu irmão,
olhar louco,
o desgaste,
a imagem de si comigo ao colo,
a minha mãe - tão longe daqui "o meu pai?",
pergunta repetida.

Volto de susto,
agarro o maxilar que afagava.

Vómito.
Azia.
Dorme, Miguel.
Amanhã é dia.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Trova

Sabes que não posso assegurar indiferença face à tua nudez programada. Descrições de linhas de costa em dias azuis-fosco servem-te bem demais para que me apodere delas e lhes force um "nós".
Mas se um dia os teus olhos resvalarem para essa Almada, espero-te, a ti, e ao teu toque que congela esta maré de destruição auto-provocada.
Espero como a estrela cadente espera o silêncio de um desejo que não se partilha.

sábado, 15 de março de 2014

A Onze

Só, olhares filóginos no autocarro, quinze minutos, desconforto, jogos, atenção ao pensamento não vá alguém ouvir. Idade de prata, futuro de latão, o sono, traços contínuos em relevo, clube de golfe esbatido de tinta quebrada. Ar, último desvio da íris nas curvas baloiçantes de uma figura, relva com cuidado. Subsolo.