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quarta-feira, 4 de março de 2015

arrest this man, he talks in maths

às vezes devíamos olhar para o significado mundano dos acontecimentos dos outros como beliscões de normalidade, enxotando a aranha que nos dança na pele à procura do lugar mais doce. pessoas normais, problemas normais, dão-nos pílulas de açúcar que sabem bem a descer. ressuscitam a humanidade na corrente sanguínea. provam-nos que o caos só se mostra se damos o peito às balas.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

conversas moléculares ou a tautologia do que é exprimir-se

eu vejo um cubo
e digo-te que é um cubo,
com os teus braços esvoaçantes procuras as arestas que o limitam,
olhos no céu, de palmas viradas para cima.
E tremes. Tremes o teu mundo contigo, contido
na limitação do que é exprimir-se,
exprimir o sítio onde estás,
que é amarelo e rosa forte ao mesmo tempo,
cores quentes pejadas de parco laço a uni-las.
E não posso dizer que é mentira,
nem que há cinco segundos falávamos do cubo,
senão desabas no infinito
e um grito mudo na tua cabeça coloca o ponto final
da conversa que ainda não começaste.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

hang on to your id

perguntaste-me como lidar com areias movediças
e eu respondi que serias a cicatriz mais bela do meu corpo já embalsamado,
que a ideia da pele morta se estranha
antes de ser acolhida com a promessa de não abrir a porta a estranhos,
que há orgulho em ser o último trinco a ceder
neste dominó de cataclismos,
que há arte no volver de poemas em crónicas sujas,
mesmo que sejam unidos pelas ancas,
nunca de frente um para o outro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

iron lung

bastaram dois engodos de língua para me derreteres na tua boca. nada foi melhor. nada é melhor.
nada é tão livre como cair dentro de ti, e esperar os teus braços. as tuas pernas à minha volta.
somos felizes no dia ocupado, no dia triste,  no dia belo. no dia em que dos nossos lábios se esgueira a boa noite. somos felizes com o toque doce no ombro que nos envolve de manhã e no abraço dócil dos lençóis, quando nos adormecemos a quilómetros. descobrimos a pólvora. usamo-la como fogo de artifício e voamos perto do sol. como podemos virar as costas? como podemos viver sem respirar? somo-nos cúmplices, estranhos, estrangeiros e amantes, tudo de uma vez. somo-nos nós, gemo-to dentro do ouvido e da boca.
somos tão bem...

hoje volto aqui para te mostrar que somos feitos do pó das estrelas e que nada desaparece. Por isso sai, vai à rua, desliza na calçada...
hoje o dia é teu, deixa ser verde.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

#354

a outra voz que mora aqui enuncia estes vocábulos, claramente:

não tenho espaço na aorta - ou
no sistema nervoso central, por falar nisso -
para o arrepio que brota da nuca
como resina de uma árvore madura.

a minha responde:

não tenho espaço na aorta - ou 
no sistema nervoso central, por falar nisso -
para a dormência das minhas pernas,
nem para virar as costas ao fogo
quando é tão bom arder.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

é verborreia,
não preciso de balões a ilustrar as mentes
de personagens desenhadas na minha cabeça.
Nem a que sou no meu quarto,
Nem a que invento em autocarros.

São heterónimos do anonimato,
só heterónimos do anonimato,
são o pudor das causas perdidas.

não quero perder pedaços
de mim
para que desvaneçam em duas metades de um só corpo.