Amorfo.
Deitado
solidão à espera
vela na mesa
cabeça latejante
de dormir.
Acordar
para suplicar
novo sonho.
Catorze horas
em que o nada
é melhor que tudo.
Persianas fechadas
e quatro
cantos
vazios
no escuro
no mundo
na calma
no quarto.
Exijo
hibernação eterna.
don't go and lose your face/ at some stranger's place / and don't forget to breathe / and pay before you leave / lay me down to crawl
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Youth Novel
Farto de beber palavras e segundos de quase-amor.
Lábios que observo, formas geometricas atraentes.
olho-te: murmuras afecto...
não quero ser
brinquedo estragado
nas mãos de uma jogadora emocional.
A água ferve
a mão teme
quando devia mergulhar.
sobra um dia desfeito
e tempo para limpar o chão.
Lábios que observo, formas geometricas atraentes.
olho-te: murmuras afecto...
não quero ser
brinquedo estragado
nas mãos de uma jogadora emocional.
A água ferve
a mão teme
quando devia mergulhar.
sobra um dia desfeito
e tempo para limpar o chão.
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Chop Suey
Vão longe, os dias em que tudo o que me dizias era dogma. E apenas podia esboçar um ar de fraca compreensão, genialidade arrepiante, sapatos grandes que nunca caberiam confortavelmente nos meus pés. Em que sonhava poder vir a ser tu, sem defeitos e pleno de carisma, acabando sempre o que começava.
Os anos passaram, tudo é diferente. O mundo não é a preto e branco. Nada é ou não é. E sinto saudades de achar isso, de te ter como conforto e modelo, poder repetir as tuas frases a quem nascer de mim, pequeno sorriso nostálgico de ser parte de quem és.
Não me interpretes mal. Tenho orgulho. Muito.
Mas já não és a causa que defendo cegamente, nem imune a críticas choradas.
Os anos passaram, tudo é diferente. O mundo não é a preto e branco. Nada é ou não é. E sinto saudades de achar isso, de te ter como conforto e modelo, poder repetir as tuas frases a quem nascer de mim, pequeno sorriso nostálgico de ser parte de quem és.
Não me interpretes mal. Tenho orgulho. Muito.
Mas já não és a causa que defendo cegamente, nem imune a críticas choradas.
És humano. Bom, mas só humano.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Parasite
Agora só vejo momentos que roubo a quem os tem por si.
Levo o que quero da carne do mundo.
Tiro tempo de vida a quem pondera gastá-lo.
Vírus nunca, parasita.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Texto
Colecciono momentos e objectos como se me fossem indispensáveis para respirar. Sobretudo momentos. Guardo-os na cabeça, à espera que a vida mos coma. E quero-os assim, não registados, desarrumados, surpreendentes numa noite em que algo os despoleta. Um cérebro desarrumado sabe como dias a café. Sem comer de manhã, dedos ansiosos e ar cortante. É bom, é tudo para mim, essa ideia de que eles sempre voltam. E de que se podem confundir com sonhos, mentindo suavemente à realidade. E se não voltarem, também não sei que existem. Poupa-me um suspiro - talvez uma lágrima - sobre um papel amarrotado.
Recordo-me de um fragmento de imagem. Devia ter uns três anos, e olho para o meu pai, sentado à cabeceira da mesa, ar confiante, cotovelo equilibrado por razões de etiqueta. E um sorriso verdadeiro na cara. Rugas breves, de feitio. Esta figura surge repetitivamente na minha cabeça, como se a maldissesse ou quisesse guardá-la muito perto.
Não sei o que a provoca, sei que é de ferro. Cada vez que penso nela, a nostalgia invade, tecido macio. E provoca uma torrente de outros pedaços que me percorrem, até ao embrião. De pessoas que não vejo, situações caricatas, medo, vergonha, tudo, tudo passa. Ao ponto de não saber se me fez bem esta viagem. Se lembrar é melhor do que estar sempre aqui e agora, realidade gasta, mas palpável, inegável, existente.
Não sei. Mas não as quero perder.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
So, you are into bukowski? That's so cool! I write a bit myself, but i wouldn't dream of doing what he does...
Este
é o meu pequeno poema
sobre como não seguir em frente.
Sobre como apagar
pessoas
é diferente
de apagar
cigarros.
Ou talvez
seja igual
porque um cinzeiro
fica sempre
marcado
depois do uso
e a beata tem
aquele algodão do fim
amarelado
alaranjado
nicotinado
tom
de quem usou e deitou fora
e não tocou mais
até estarem tantas
e tantas
que uns se apagam por cima dos outros
na loucura das cinzas.
é o meu pequeno poema
sobre como não seguir em frente.
Sobre como apagar
pessoas
é diferente
de apagar
cigarros.
Ou talvez
seja igual
porque um cinzeiro
fica sempre
marcado
depois do uso
e a beata tem
aquele algodão do fim
amarelado
alaranjado
nicotinado
tom
de quem usou e deitou fora
e não tocou mais
até estarem tantas
e tantas
que uns se apagam por cima dos outros
na loucura das cinzas.
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the dude
Alex, 18
Já faz algum tempo que saltaste, mais de um mês creio. Mas contar os dias é cruel.
Vi descer o teu caixão, e conto-te um segredo: A morte fica-te larga, meu amigo. Como quem veste a camisa do pai.
Não fui capaz de te chorar no dia, nem no seguinte. O teu irmão precisava de mim, e por isso estive lá. Num corredor cheio de breves olás, porque o caos é de todos, aparentemente. Detesto isso.
A mostra de preocupação é o óxigenio de quem não está presente.
E, apesar de haver um, dois, muitos dias em que quero ir aí ter, não posso.
Mas fizeste a tua decisão, e foste andando uns passos à frente.
Eu já vou. Só mais uns-
Vi descer o teu caixão, e conto-te um segredo: A morte fica-te larga, meu amigo. Como quem veste a camisa do pai.
Não fui capaz de te chorar no dia, nem no seguinte. O teu irmão precisava de mim, e por isso estive lá. Num corredor cheio de breves olás, porque o caos é de todos, aparentemente. Detesto isso.
A mostra de preocupação é o óxigenio de quem não está presente.
E, apesar de haver um, dois, muitos dias em que quero ir aí ter, não posso.
Mas fizeste a tua decisão, e foste andando uns passos à frente.
Eu já vou. Só mais uns-
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Stockholm Syndrom
AMSTERDAM
Já alguma vez repararam no Homem que espera ao longo do paredão da praia dos Pescadores, na Ericeira?
Certa noite, no regresso a casa passei por lá e sem qualquer razão pus-me a olhar ao longo da costa, até que vi, recortada, uma figura sentada, de mãos ao colo, pés baloiçantes, só, ali, à espera de alguma coisa.
Não sei o que é, não sei mesmo, mas tem de ser alguma coisa. Ninguém arrisca a erosão lenta e fria sem razão.
Comecei a pensar numa infinidade de coisas, tudo poderia ser. Apresento-vos a melhor ideia.
O Homem era cativo do mar. Tal como uma vítima de rapto, sofreu às suas mãos, a sopa estava no balcão, a água numa tigela rente à porta. O frio fazia-o adoptar uma posição fetal.
Mas havia alguma coisa de errado. Não havia ódio. Passaram meses, anos talvez, mas nada crescia nele, não agora. Antes sim.
O mundo era aquilo. Duas palavras por dia, utilização imprópria e a luz por um buraco na parede.
Escuro.
Dias em noites, vice-versa.
O único traço de humanidade estava na visita do captor.
Nada mais restava.
Só toques no braço,
E momentos a partilhar.
8 o'clock and we agree
Gosto que me faças sentir burro da maneira certa.
Mesmo que não tenhas o terror presente nos ossos, favor da vida.
De vez em quando viver de pulmões cheios é preciso, por todos aqueles dias em que os comprimidos seduzem e a melancolia mata lentamente, feita de cigarros e promessas de "amanhã vou".
Tu vives numa cidade berrante, em que os segundos acontecem cheios, rebentam até ao próximo, e eu longe, no meio dos meus pensamentos, na calma enlouquecida de uma pequena vila.
Por isso, quando as nossas mentes batalham - não são discussões, antes pretensiosas tertúlias, como todos temos - isso revela-se, o suficiente para me deixar sem ar e com a sensação de coisas a passar.
Tudo passa, tudo passa.
Até me fartar e deixar bilhetes de adeus na soleira de portas amigas.
Não voltar.
Mesmo que não tenhas o terror presente nos ossos, favor da vida.
De vez em quando viver de pulmões cheios é preciso, por todos aqueles dias em que os comprimidos seduzem e a melancolia mata lentamente, feita de cigarros e promessas de "amanhã vou".
Tu vives numa cidade berrante, em que os segundos acontecem cheios, rebentam até ao próximo, e eu longe, no meio dos meus pensamentos, na calma enlouquecida de uma pequena vila.
Por isso, quando as nossas mentes batalham - não são discussões, antes pretensiosas tertúlias, como todos temos - isso revela-se, o suficiente para me deixar sem ar e com a sensação de coisas a passar.
Tudo passa, tudo passa.
Até me fartar e deixar bilhetes de adeus na soleira de portas amigas.
Não voltar.
domingo, 18 de agosto de 2013
Pool Shark
Flutuo entre páginas rasgadas nos cantos mais sinistros da minha mente, deixando a marca de quem quer muito ter algo para dizer.
Uns dias penso que sim.
Outros, nem por isso.
Reservo para mim tudo aquilo que nunca te expus, como se ao lavar a loiça te surja o "eureka". E desses lábios possa um dia ler as palavras "esquece tudo isso".
Para mim, não há maior prazer que o elixir ardente que desinfecta bocas cuspindo mentiras e palavras de ódio. Deve ser por isso que vacilo entre pessoas como um pêndulo cansado. Porque a minha verdade nunca é a mesma.
De fora ficam todas essas ideias que não se concretizam. Mas tu chegas lá.
Uns dias penso que sim.
Outros, nem por isso.
Reservo para mim tudo aquilo que nunca te expus, como se ao lavar a loiça te surja o "eureka". E desses lábios possa um dia ler as palavras "esquece tudo isso".
Para mim, não há maior prazer que o elixir ardente que desinfecta bocas cuspindo mentiras e palavras de ódio. Deve ser por isso que vacilo entre pessoas como um pêndulo cansado. Porque a minha verdade nunca é a mesma.
De fora ficam todas essas ideias que não se concretizam. Mas tu chegas lá.
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hey charlie,
lá em baixo,
música,
REPENT!!!
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