"espero que agora troveje. estou aqui deitado, no meu trono-saco de cama."
O mundo não me pode tocar como toca quando tenho os pés no chão. O dia não começa enquanto a peça não cair, não acaba quando eu quero, não se funde com a miséria, não, não, não, não pode nada contra mim aqui, até tenho coragem para um sorriso, sincero, como quem transforma madeira em meninos de verdade e destila delicadeza pelos poros.
Quero imaginar. Quero música como história "agora eu era um herói", até ser algo melhor "eu já não tinha medo".
Quero tudo o que não deu para ter.
Feliz Natal.
don't go and lose your face/ at some stranger's place / and don't forget to breathe / and pay before you leave / lay me down to crawl
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Lírio, Canivete, Alma Para ir à Escola.
Consumimos frases de auto-ajuda como se o abjecto morasse nos nossos quartos.
Monstros no armário.
Amor debaixo da cama.
Amor simples, infante.
Amor como só se pode receber de si mesmo.
Frases de um teclado anónimo.
Alcunhas de merda, planos diferentes.
Misticismo no plural. Piadas sexuais que não chegam ao teu peito.
Misticismo no singular.
Morte nos dias leves.
Sorrisos no peso.
Todos somos facultativos.
Planos de merda.
Monstros no armário.
Amor debaixo da cama.
Amor simples, infante.
Amor como só se pode receber de si mesmo.
Frases de um teclado anónimo.
Alcunhas de merda, planos diferentes.
Misticismo no plural. Piadas sexuais que não chegam ao teu peito.
Misticismo no singular.
Morte nos dias leves.
Sorrisos no peso.
Todos somos facultativos.
Planos de merda.
Etiquetas:
curtas,
flores,
in a bar; under the sea,
poema,
the crawl
domingo, 8 de dezembro de 2013
Bulhosa
São instantes de grandeza, por todos os dias em que o mundo mói nas palavras de Sá Carneiro.
Estendi-lhe nove dígitos, embrulhados num poema.
E dois dedos de conversa, como um beijo de circunstância.
"Detesto os gajos que fazem isto, mas não quero ficar-me pelo Quasi"
Trocadilho espirituoso. Ilusões de confiança.
Umas horas mais tarde, um texto simpático sobre a inexistência de futuro.
Que bom foi ter coragem para não agarrar nada.
Estendi-lhe nove dígitos, embrulhados num poema.
E dois dedos de conversa, como um beijo de circunstância.
"Detesto os gajos que fazem isto, mas não quero ficar-me pelo Quasi"
Trocadilho espirituoso. Ilusões de confiança.
Umas horas mais tarde, um texto simpático sobre a inexistência de futuro.
Que bom foi ter coragem para não agarrar nada.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Might be wrong
vamos descer até não restar nada.
saltar, deixar a gravidade provar-se.
mexer o ombro em desconforto,
enfim, vamos ser uma pestana
resvalante
da pálpebra
para a íris.
Estou farto de pensar que não posso ver o desconforto,
e tudo o que dele nasce.
De ver o bom nas palavras pestilentas
amantes que enchem o fundo da fotografia
de uma orfã que conta os grãos de areia.
saltar, deixar a gravidade provar-se.
mexer o ombro em desconforto,
enfim, vamos ser uma pestana
resvalante
da pálpebra
para a íris.
Estou farto de pensar que não posso ver o desconforto,
e tudo o que dele nasce.
De ver o bom nas palavras pestilentas
amantes que enchem o fundo da fotografia
de uma orfã que conta os grãos de areia.
Etiquetas:
curtas,
lá em baixo,
poema,
serpentine,
youth novel
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Quem diria que um dia voltava a ver raquel.....
Num dos muitos tons de cinzento espremi uma expressão de surpresa desfeita. "Tu vais passar a tua vida com esta pessoa". Como quem aponta o óbvio erro entre números sequenciais, percebi pelo teu esgar na sua direcção, trovão que rebate na terra e treme a revolta electrizante nos poros da pele.
E que cara de lhe adivinhar os lábios e suar lágrimas no peito da sua morte...tantos capuletos e montéquios. Como o que eu senti em tempos. Essa cara que me pediste emprestada. Atravessaste a rua como se o que fomos se tornasse um "vai ficar para outro dia". E perdi tudo.
E que cara de lhe adivinhar os lábios e suar lágrimas no peito da sua morte...tantos capuletos e montéquios. Como o que eu senti em tempos. Essa cara que me pediste emprestada. Atravessaste a rua como se o que fomos se tornasse um "vai ficar para outro dia". E perdi tudo.
Etiquetas:
curtas,
música,
Nostalgia cuts you up,
rocketman,
using cander as painkiller,
youth novel
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
réve
Descansa em mim, já que calho embrulhado na tua voz e sou fácil de deitar fora.
Deixa-me as chaves e o comando, os miúdos não vão a lado nenhum.
Brota como um botão de cerejeira, explosão em câmera lenta, grávido de esperança.
Regressa ao teu lugar pálido com feridas de luta,
eles não fogem,
prometo,
eu guardo-os,
prometo,
prometo.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Go to sleep
a melhor banda em actividade (ponto)
Vou dormir,
Tenho que ir dormir
porque
sinto que alguma
coisa vai correr mal
aqui dentro
no núcleo
que tudo governa
e tudo sente
e comanda a estupidez dos afectos
e a preguiça nos dias
e diz que as queimaduras doem.
Vou dormir,
senão os meus pulmões intimidam
os bronquios
e engolem a traqueia
e deixam-me a espernear
porque
ainda
não disse
tudo.
Tem de ser
tem de ser,
tenho de dormir
agora,
para poder gozar
o escuro
e deixar os braços cair
ao lado
e correr atrás
de um sonho
e sentir o coração
no ouvido.
respirar conscientemente cansa.
Etiquetas:
música,
plug it in,
poema,
the crawl,
youth novel
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Picoas
Tive um sonho com uma locomotiva que parava para quem queria entrar, porque o pó e as migalhas também têm o seu orgulho.
Era uma carruagem cheia de corações partidos, olhares esquisitos que queriam a mesma coisa.
Ele disse: "eu não quero passar a viagem calado nos lábios de outra pessoa. Parem de escrever e falem comigo."
E os gritos entraram como percussão através das cordas, as lágrimas no meu lenço não eram minhas, estou entre os meus.
Valeu a pena ser fecundado neste universo estéril.
Era uma carruagem cheia de corações partidos, olhares esquisitos que queriam a mesma coisa.
Ele disse: "eu não quero passar a viagem calado nos lábios de outra pessoa. Parem de escrever e falem comigo."
E os gritos entraram como percussão através das cordas, as lágrimas no meu lenço não eram minhas, estou entre os meus.
Valeu a pena ser fecundado neste universo estéril.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Relógios Sangue, Ponteiros Ouro, Água Benta
Lágrimas de crocodilo
o sangue escorre
como água de braço hirto - o horror.
Tinha de ser.
O tempo é tudo
e só as crianças o podem pisar.
"Nada foi perfeito"
dizes ao azulejo,
às paredes
à água quente
que te toca
e te relaxa os músculos
nestes últimos segundos.
o sangue escorre
como água de braço hirto - o horror.
Tinha de ser.
O tempo é tudo
e só as crianças o podem pisar.
"Nada foi perfeito"
dizes ao azulejo,
às paredes
à água quente
que te toca
e te relaxa os músculos
nestes últimos segundos.
domingo, 20 de outubro de 2013
Footsteps
O que fazer quando já nem humanidade temos em comum? Quando nos sentamos na sala, frente a frente, e o desejo é silêncio permanente, o ar suportando esta forma de vida que escorre de nós, coagulada, a custo?
Diz-me, porque já não sei o que fazer.
Desespero gravemente sobre a tua indiferença, sobre a frieza daquilo que te escapa, sobre aquilo que já não és e nunca mais vais poder ser. Sobre não suportar uma culpa que nos envolve e nos torna feios por dentro, mata devagar, mas tão devagar que não dói, só incomoda, chuva miúda.
Estou só tão cansado de respirar este espaço. Como se as forças nunca tivessem existido. E nunca nada nos tivesse ligado.
Diz-me, porque já não sei o que fazer.
Desespero gravemente sobre a tua indiferença, sobre a frieza daquilo que te escapa, sobre aquilo que já não és e nunca mais vais poder ser. Sobre não suportar uma culpa que nos envolve e nos torna feios por dentro, mata devagar, mas tão devagar que não dói, só incomoda, chuva miúda.
Estou só tão cansado de respirar este espaço. Como se as forças nunca tivessem existido. E nunca nada nos tivesse ligado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)